Sábado 26 Setembro 2026 — Santa Missa em Paris, Place de la Concorde
15:00
Place de la Concorde e Champs-Élysées, Paris, França
⛪ Santa Missa
Santa Missa em Paris
📍 Place de la Concorde e Champs-Élysées, Paris, França
À tarde do segundo dia da viagem apostólica à França, o Papa Leão XIV preside uma grande Santa Missa ao ar livre na Place de la Concorde, ao longo dos Champs-Élysées, diante de uma multidão estimada entre 700 mil e 800 mil pessoas: a primeira vez que um Papa celebra a Eucaristia nesta praça. Na homilia, centrada na água viva do Evangelho de João, o Pontífice recorda que «nenhum de nós é um número num documento de identidade» e invoca a intercessão dos santos da França, de Blandina a Vicente de Paulo, para que «jorrem fontes de água viva no seio do Povo de Deus».
Queridos irmãos e irmãs, Agradeço a Deus a graça que me foi concedida de estar aqui, nesta Praça da Concórdia, a celebrar a Eucaristia. Sim, como é bom e agradável encontrarem-se os irmãos e irmãs, para glorificar a grandeza de Deus!…
Queridos irmãos e irmãs,
Agradeço a Deus a graça que me foi concedida de estar aqui, nesta Praça da Concórdia, a celebrar a Eucaristia. Sim, como é bom e agradável encontrarem-se os irmãos e irmãs (cf. Sl 133, 1), para glorificar a grandeza de Deus! Que a minha presença entre vós fortaleça a vossa fé, encorajando-vos a irradiar e a transmitir incessantemente a vida, a paz e o amor do nosso amado Senhor Jesus Cristo.
«Se alguém tem sede, venha a mim» (Jo 7, 37). Irmãos e irmãs, a nossa comunidade sedenta volta-se para Cristo, fonte de água viva; a água que sacia e faz florescer a vida, a água do amor de Deus «derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado» (Rm 5, 5).
O desejo de Deus habita no mais profundo do nosso coração, e nós clamamos com o salmista: «A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo!» (Sl 42, 3). É o clamor de um homem, humilde e apaixonado, cuja sede mais íntima e existencial não cessa de crescer. Ora, é Jesus Cristo que, através da sua encarnação, vai ao encontro de cada homem na sua história e se lhe revela como a verdadeira fonte de água viva, capaz de aplacar a sua sede. Não se trata tanto de uma sede material, mas antes de uma sede de sentido, de verdade e de realização que habita no coração de cada um. Jesus responde a este profundo desejo de relação, de comunhão com Deus, no qual reside a plenitude da vida para sempre.
Na primeira leitura, o profeta Ezequiel vê a água saindo do Templo e, espalhando-se pelo deserto, purificar e fecundar tudo (cf. Ez 47, 1-2.8-9.12). São João, mais tarde, verá a água brotar do lado traspassado de Jesus, que entrega o Espírito (cf. Jo 19, 30-34). Então, todos podem saciar-se nesta fonte para renascer e receber o dom do Espírito, tornando-se filhos de Deus, novas criaturas.
Irmãos e irmãs, é preciso reconhecer que nada, neste mundo, consegue satisfazer-nos em plenitude. Quando pensamos que conseguimos concluir, finalmente, o nosso trabalho e ver recompensados os nossos esforços, reaparece muitas vezes um vazio interior ainda mais profundo. Então, pode acontecer que, para o preencher, busquemos novos prazeres, queiramos possuir novas coisas e façamos de tudo para nos “divertirmos”, simplesmente para não sentir aquele mal-estar interior!
A Liturgia da Palavra de hoje convida-nos a examinar o nosso coração: qual é a nossa sede mais profunda? O que procuramos realmente na vida? Todos aspiramos à felicidade, ao amor, à realização. Mas em que fonte procuramos saciar a nossa sede? Contentamo-nos com os bens materiais, com satisfações imediatas, com tantos pequenos ídolos que prometem mundos e fundos, deixando o nosso coração vazio? Com o Batismo, recebemos a água viva de que fala o Evangelho, mas será que na verdade encontrámos pessoalmente Cristo? Na sua essência, o ser humano é um ser que “deseja” e só Deus pode preencher este vazio interior.
Sim, irmãos e irmãs, Jesus Cristo, o Bom Pastor, guia-nos, tal como o pastor conduz as suas ovelhas à fonte da felicidade e da paz. Conhece pelo nome cada um e cada uma. Nada Lhe escapa dos nossos segredos, intenções e fraquezas. Ele sonda as profundezas do nosso coração, entregou a sua vida por nós e continua a doá-la através dos Sacramentos. Carrega aos ombros as ovelhas cansadas ou feridas e, com delicadeza, traz de volta as que se perderam. Jesus revela o amor incondicional de Deus por nós. Para Ele, nenhum de nós é um simples número no bilhete de identidade ou um código de identificação, mas uma pessoa, única e insubstituível.
Ao ver-vos aqui reunidos, queridos irmãos e irmãs, herdeiros de uma longa e bela história sacra em França, digo-vos: saciai-vos, também vós, desta fonte que é o Coração traspassado de Jesus. Sim, tendes sede de Deus, de vida, de verdade, de unidade, de paz, de comunhão, de felicidade. Aspirai a redescobrir um horizonte cheio de luz, a construir uma nação renovada a partir das suas raízes regadas pela fé. Não guardeis a fé em Jesus Cristo só para vós mesmos, mas deixai-a transbordar para saciar e preencher as pessoas que encontrardes. A vós cabe levar a esperança onde reinam o desânimo e a aridez espiritual.
Com efeito, só aceitando viver na verdade, sob o olhar de Jesus, é possível ser autênticos e olhar para as nossas vidas com lucidez: certamente frágeis, vulneráveis e destinadas a passar pela morte, mas também maravilhosas, milagrosas, capazes de se renovarem nas relações e de se abrirem ao verdadeiro amor.
«Quem crê em mim que sacie a sua sede! Como diz a Escritura, hão de correr do seu coração rios de água viva» (Jo 7, 37-38). Quando nos saciamos na fonte que é o coração de Cristo – escreveu Orígenes – tornamo-nos nós próprios poços, nascentes e rios para os outros (cf. Homilia 12, 1, 2-3). Na verdade, o fiel que dela bebe torna-se, por sua vez, fonte de vida graças à sua ligação existencial com Cristo e transmite esta mesma vida ao próximo.
Queridos irmãos e irmãs, a água viva do Espírito Santo foi derramada em abundância e continua a dar frutos na Igreja através de missionários e testemunhas em todas as culturas e povos. Fecunda tudo o que se deixa tocar e transformar por ela para dar o seu fruto, ou seja, a santidade daqueles que adoram o verdadeiro Deus e servem os irmãos e as irmãs com generosa caridade. Ao longo dos séculos, neste esplêndido país que é a França, muitos se saciaram desta água viva e consagraram totalmente a sua vida ao bem: os primeiros mártires, como Blandina, Potino e Irineu; santos e santas que fundaram ordens religiosas; santos bispos, como Martinho de Tours e Francisco de Sales; homens e mulheres com um coração sensível às necessidades do próximo, como Vicente de Paulo, Federico Ozanam, Joana Jugan e tantos outros. Ainda hoje, na nossa sociedade, nas nossas paróquias e nas nossas diversas atividades, são inúmeros aqueles que continuam a empenhar-se em prol da vida, da família, da verdade, da paz, da fraternidade e da justiça.
A partir desta bela cidade de Paris, rezo com fervor para que a água viva do Espírito Santo se espalhe em toda a França. Penso em vós, queridas famílias, que, apesar das múltiplas dificuldades que enfrentais diariamente, perseverais corajosamente na vossa missão. Agradeço-vos do fundo do coração por todo o bem que se realiza através de vós. Que nunca se esgote em vós a presença concreta de Jesus! Penso em vós, queridos jovens: sois a Igreja de hoje! Como é lindo ver o vosso entusiasmo, o vosso dinamismo, o vosso empenho e a vossa alegria dentro das comunidades cristãs. Penso também em vós, queridos catecúmenos e neófitos, que empreendeis o caminho da fé, da conversão e da iniciação cristã. Que o dom do Espírito Santo vos faça testemunhas, prontas a difundir à vossa volta a civilização do amor.
Irmãos e irmãs, recorramos à Mãe de Deus, Fonte de salvação, aquela que guia as nossas vidas para o seu Filho, autor de toda a graça. Com o seu “sim” livre e confiante, tornou-se a arca, humilde e desejada por Deus, na qual o amor do Pai encarnou para se doar ao mundo. Invoquemo-la com confiança, para que, pela sua intercessão, jorrem fontes de água viva no seio do Povo de Deus, fazendo florescer em toda a França os rebentos da fé, da esperança e da caridade. Ámen!
Pela manhã o Papa Leão XIV visita a Maison Bakhita, centro de acompanhamento e integração social para pessoas exiladas, saudando os hóspedes e a equipe da instituição, dedicada a Santa Josefina Bakhita.
🎥 Vídeos
▶
Visita à Maison Bakhita
▶
Momentos marcantes da visita à Maison Bakhita
📷 Fotos
A diretora da Maison Bakhita apresenta ao Papa a realidade do centro
O Papa saúda os participantes do encontro
O Papa saúda Lise-Marie
Presentes ao Papa oferecidos pelos hóspedes do centro
Visita ao Centro de acompanhamento e integração social Maison Bakhita (traduzido)
Caros irmãos e irmãs, bom dia! Tenho a alegria de iniciar convosco este segundo dia em Paris, nesta casa que testemunha a toda a cidade que é possível encontrar-se e viver juntos na dignidade e na paz. Agradeço à Arquidiocese de Paris, às Irmãs Escalabrinianas…
Caros irmãos e irmãs, bom dia!
Tenho a alegria de iniciar convosco este segundo dia em Paris, nesta casa que testemunha a toda a cidade que é possível encontrar-se e viver juntos na dignidade e na paz. Agradeço à Arquidiocese de Paris, às Irmãs Escalabrinianas e a todos os colaboradores e voluntários que dão vida a este lugar e estão ao serviço de quantos aqui encontram acolhimento, escuta, formação e amizade. Dirijo um agradecimento especial a quantos partilharam o seu testemunho.
O nome do vosso Centro de acompanhamento e integração social, que remete para Santa Bakhita, estimula-nos a reconhecer o papel fundamental das mulheres na construção de uma civilização do amor, alternativa à cultura que desagrega as comunidades e torna as cidades doentes de solidão. A história da Igreja e da humanidade, bem vista, não é escrita por quem parece vencer, impondo-se e ocupando o espaço, mas por quem «faz espaço», inicia processos de paz, gera confiança e encoraja a vida. Não se trata de simples sentimentos, mas de decisões e compromissos a contracorrente, cuja relevância pública e promessa de futuro compreendemos cada vez melhor. Santa Bakhita compromete-nos a ver quem não é visto, a resgatar quem hoje a economia e a cultura tornam escravo, a honrar a dignidade infinita de cada irmão e irmã, nos quais o próprio Jesus bate à nossa porta.
Caríssimos, a realidade é que os pobres, para os cristãos, não são uma categoria sociológica, mas a própria carne de Cristo. Com efeito, não basta limitar-se de modo genérico a enunciar a doutrina da encarnação de Deus; para entrar verdadeiramente neste mistério, é preciso especificar que o Senhor se faz carne que tem fome, que tem sede, que está doente, encarcerada. Cristo pobre e crucificado deixa-se encontrar e amar em homens e mulheres que nos chamam a sair de nós mesmos e a ousar a caridade.
Irmãs e irmãos, a intuição mais importante que inspira o vosso empenho diz respeito à troca de dons que se renova em cada encontro. Ninguém é tão pobre que não tenha algo para dar; ninguém é tão rico que não tenha algo para receber. Há vida em abundância onde o limite de cada um se abre à misteriosa presença dos outros, nos quais é o Outro por excelência, o Deus da vida, que se faz próximo. Isto não nega a fadiga que o pecado introduziu na história, mas ajuda-nos a não permanecer prisioneiros dela. Anunciamos que a redenção é possível, começou, está em curso e envolve-nos, como membros vivos do Corpo de Cristo.
E não esqueçamos que «o olho não pode dizer à mão: Não preciso de ti; nem tão pouco a cabeça aos pés: Não preciso de vós. Pelo contrário, os membros do corpo que parecem mais fracos são os mais necessários». São palavras de São Paulo aos cristãos de Corinto, uma das metrópoles mais ricas e dinâmicas do seu tempo. Ali o Evangelho tinha sido acolhido por pessoas de diversa proveniência e condição social, entre as quais muitos pobres e escravos, como alguns de vós hoje. «Mas Deus — escreve ainda o Apóstolo — dispôs o corpo dando maior honra ao que tinha falta dela, para que não haja divisão no corpo, mas sim que os membros tenham o mesmo cuidado uns pelos outros».
Agradeço-vos, pois, o vosso trabalho, juntamente com o de todas as pessoas que, em toda a França, desempenham este serviço em instituições semelhantes. Continuai a testemunhar esse cuidado mútuo que, através do acolhimento fraterno, dos percursos formativos, do diálogo com a cidade, eleva o espírito e humaniza o mundo. Intercedam por vós Santa Bakhita e as grandes testemunhas da caridade que modelaram a presença da Igreja na França, especialmente nas épocas de mudanças mais conturbadas. Obrigado! O Senhor vos abençoe.
O Papa encontra-se no Instituto Católico de Paris com os membros da Assembleia sinodal provincial, junto com catecúmenos e neófitos, com um discurso sobre o caminho sinodal da Igreja na França. O Instituto ocupa o antigo convento dos Carmelitas Descalços onde em 1630 entrou em religião o Irmão Lourenço da Ressurreição, autor de "A prática da presença de Deus", um dos escritos espirituais preferidos do Papa; a visita ocorre num momento de forte crescimento dos batismos de adultos e jovens na França.
🎥 Vídeos
▶
Encontro com a Assembleia sinodal provincial
▶
Momentos marcantes do encontro com a Assembleia sinodal provincial
📷 Fotos
O encontro com o Papa no Instituto Católico de Paris
Josué, um dos catecúmenos que deram o seu testemunho
Encontro com a Assembleia Sinodal Provincial, os Catecúmenos e os Neófitos
Excelências, queridos sacerdotes e pessoas consagradas, queridos membros da Assembleia Sinodal, queridos catecúmenos e neófitos, irmãos e irmãs, Estou feliz por me encontrar convosco e por poder refletir, nesta Viagem Apostólica, sobre o caminho que estais a percorrer na Assembleia Eclesial Provincial…
Excelências, queridos sacerdotes e pessoas consagradas, queridos membros da Assembleia Sinodal, queridos catecúmenos e neófitos, irmãos e irmãs,
Estou feliz por me encontrar convosco e por poder refletir, nesta Viagem Apostólica, sobre o caminho que estais a percorrer na Assembleia Eclesial Provincial.
Agradeço a Sua Excelência Reverendíssima Dom Laurent Ulrich, Arcebispo de Paris, que salientou a importância histórica e espiritual do local onde nos encontramos, recordando também o Frade Lourenço da Ressurreição, que marcou profundamente o meu percurso de fé com a sua mística do quotidiano. Mas, acima de tudo, expresso a minha gratidão pelo Instrumentum Laboris que me entregastes, manifestação de um percurso eclesial no qual o Povo de Deus esteve envolvido, num estilo de escuta mútua e de sinodalidade.
Hoje, somos acolhidos pelo Institut Catholique de Paris, uma instituição situada na intersecção entre a ciência e a fé, que há séculos contribui para formar mentes e corações ao serviço do Evangelho. Saúdo os professores, os estudantes e os funcionários desta universidade, mas também todos os membros desta Assembleia Provincial, empenhados em refletir sobre as perspectivas pastorais para o acolhimento dos neófitos e catecúmenos, bem como sobre a vida da Igreja.
Ao observar de perto o trabalho que estais a realizar, mas sobretudo ao ouvir os testemunhos de Josué, Marielle e Sophie, sinto, antes de mais, uma grande gratidão pela imprevisível obra de Deus. Tal como vós e juntamente convosco, fico surpreendido com o número de pessoas que retomam o caminho da fé e com a quantidade de adultos que solicitam os sacramentos da iniciação cristã.
Pode parecer paradoxal que este fenómeno, em que tantas pessoas redescobrem o Evangelho e abraçam a fé, aconteça no contexto de uma sociedade como a francesa, marcada por uma cultura fortemente secularizada. A vossa experiência e testemunho, queridos catecúmenos e neófitos, são o sinal tangível da ação da graça de Deus, que vai além das análises estatísticas e sociológicas. Este fenómeno, que contradiz qualquer atitude derrotista e aquilo que Papa Francisco chamava de “pessimismo estéril” (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 84-86), deve ser acolhido com espírito de responsabilidade.
Somos, na verdade, chamados a dirigir-nos aos nossos irmãos e irmãs, redescobrindo o estilo próprio de Deus, feito de proximidade, compaixão e ternura. Com ternura pastoral e caridade fraterna, devemos reconhecer, acolher e guardar a pequena chama que o Espírito Santo acendeu na escuridão da noite, a pequena semente que aspira a crescer mesmo no meio dos espinheiros.
O espanto perante o que está a acontecer a muitos dos nossos irmãos e irmãs não deve fechar-nos numa alegre ingenuidade; pelo contrário, devemos comprometer-nos, procurar, questionar e empreender ações pastorais concretas. É este o espírito que anima a vossa Assembleia Sinodal e, de um modo mais geral, o caminho da Igreja em França: maravilhados com a imprevisível obra de Deus, o que devemos fazer e para onde nos impele o Espírito a fim de acompanhar os catecúmenos, os neófitos e os que recomeçam?
Em primeiro lugar, gostaria de recordar uma expressão utilizada pelo Episcopado francês há alguns anos e exortar-vos a imaginar e a encarnar uma Igreja em “estado de iniciação”, que se preocupa com o percurso dos catecúmenos, dos neófitos e dos que recomeçam, oferecendo-lhes, ao longo do tempo, um acompanhamento sólido e constante. A iniciação cristã, no seu conjunto, tem estado verdadeiramente no centro das preocupações dos Pastores desde os anos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial. Já nessa altura havia inúmeros pedidos, e o fermento teológico e litúrgico daqueles anos contribuiu em grande medida para a renovação dos percursos do catecumenato que se realizou durante o Concílio Vaticano II. Embora hoje o contexto seja diferente, podeis recorrer a esta tradição pastoral que é bem enraizada no que diz respeito ao acompanhamento dos catecúmenos. Não esqueçamos, aliás, que esta prática já em vigor foi revigorada a partir de 1996, ano em que vieram à luz a Carta aos Católicos da França e, ao mesmo tempo, a última edição francesa do Rito de Iniciação Cristã dos Adultos.
Queridos irmãos e irmãs, estar em “estado de iniciação” significa acolher as pessoas que se aproximam pela primeira vez de Deus, vendo nisso uma oportunidade e uma missão: a oportunidade reside no facto de que, graças a elas, também a comunidade dos fiéis renova o seu caminho de fé e experimenta a alegria do Evangelho de modo renovado. A missão, neste contexto, consiste em cuidar delas e servir de guia, mesmo depois de terem recebido os sacramentos. É preciso acolher com alegria quem se apresenta, partir da sua experiência espiritual, respeitar a sua história e favorecer um anúncio essencial do kerygma, também através das fórmulas conhecidas no percurso pessoal ou comunitário. Não esqueçamos, porém, que em muitas destas pessoas surge depois a pergunta que ouvimos no testemunho da Marielle: como evitar o vazio pós-batismal?
Portanto, após o Batismo, é necessário acompanhar e integrar plenamente estas pessoas nas nossas comunidades e grupos de oração, oferecendo-lhes um espaço familiar e uma formação o mais integral possível, capaz de abranger os diversos aspectos da vida cristã e de promover a união entre fé e vida. Com efeito, os neófitos precisam de aprofundar os fundamentos da fé cristã, de ser devidamente formados do ponto de vista bíblico e teológico, e de descobrir cada vez mais a riqueza da doutrina e as diversas dimensões da ação moral cristã ligadas à profissão de fé.
Por último, mas não menos importante, eles ainda precisam de ser iniciados e introduzidos na vida litúrgica da Igreja. Também nos testemunhos ouvimos como a celebração dos ritos litúrgicos foi para alguns uma porta de entrada no próprio mistério da fé. Trata-se de um âmbito fundamental da vida da Igreja, que exige uma atenção pastoral radicada nos ensinamentos do Concílio Vaticano II. Realmente, a liturgia não pode ser considerada como uma realidade “posterior” à catequese, na qual se aplica o que foi aprendido ao longo do percurso. Pelo contrário, ela manifesta e atualiza o Mistério da Páscoa de Cristo e, por isso, é um acontecimento capaz de revelar o sentido da Boa Nova e a própria vida de Deus. Com os seus ritmos, linguagens e ritos, a liturgia faz parte do mesmo caminho de conversão e preparação para os sacramentos.
Para levar a cabo esta missão, o papel dos formadores é essencial. Tal como nos ensina a antiga tradição da Igreja, trata-se de preparar padrinhos e madrinhas da comunidade, especialmente formados para iniciar os neófitos. No contexto desta formação, recomendo um conhecimento aprofundado do Ritual da Iniciação Cristã de Adultos. Paralelamente, é necessário que os agentes pastorais sejam formados – não só nos âmbitos bíblico, teológico, litúrgico e da vida espiritual, mas também no campo das qualidades humanas –, a fim de saberem discernir e orientar aqueles cujos percursos de vida são mais complexos e menos lineares. Ouvimos há pouco: há quem chegue com uma simples sede espiritual, uma busca de sentido e uma atração pelo Evangelho, enquanto outros estão marcados por experiências dolorosas, situações de solidão e feridas profundas. É aí que o estilo da proximidade, da compaixão e da ternura ganha todo o seu sentido: é preciso encontrar um sábio equilíbrio para os acolher, escutar e, ao mesmo tempo, encorajar a enfrentar os exigentes desafios da fé. Trata-se de um caminho em que é necessário respeitar o ritmo do outro, avançando progressivamente, com atenção e num acompanhamento fraterno. Trata-se de adotar o estilo do “caminhar juntos”. Nos caminhos da fé cristã, enriquecemo-nos mutuamente e crescemos juntos: sacerdotes e leigos, padrinhos e catecúmenos, animadores pastorais e neófitos.
Penso no que aconteceu a um dos catecúmenos mais famosos da história, Santo Agostinho. Foi iniciado na fé por Santo Ambrósio, e a sua fé era apenas uma pequena semente quando foi batizado. Mas essa semente cresceu e multiplicou-se, tornando-se uma árvore tão grande que, sob a sua folhagem, ainda hoje podemos encontrar conforto.
Ao olhar para vós, queridos catecúmenos e neófitos, vejo não só o fruto do Espírito que vos pôs neste caminho, mas também uma promessa de fecundidade para a Igreja na França. Sede também vós missionários do Evangelho nesta sociedade!
As grandes testemunhas desta amada nação vos apoiem no vosso caminho. Penso em Santa Teresinha do Menino Jesus, que nos ensina, através da sua “pequena via”, como a confiança abre as portas da graça; ou em São Martinho de Tours, figura emblemática da partilha e da caridade fraterna. Com tantos outros santos e santas originários desta terra da França, eles lembram-nos que a missão é construída hoje, preservando, acima de tudo, a presença do Senhor na vida quotidiana.
Acolhendo-vos uns aos outros, que possais formar, todos juntos, o povo vivo da Igreja na França, capaz de transmitir a fé. Invocando a proteção maternal da Virgem Maria, Padroeira principal da França, e a intercessão de Santa Genoveva e de São Denis, protetores desta cidade, concedo-vos, de todo o coração, a minha bênção.
À noite o Papa Leão XIV viaja de avião de Paris/Orly e chega ao aeroporto de Tarbes-Lourdes-Pyrénées; chega a Lourdes às 19h em ponto e, antes de se dirigir em oração silenciosa à Gruta de Massabielle, inaugura a "Ponte Leão XIV", uma passagem sobre o Gave que data de 1930 e restaurada em 2026. Realiza depois os ritos tradicionais do peregrino: reza de joelhos, toca a rocha, bebe a água da fonte oferecida pelo reitor do Santuário, padre Michel Daubanes, deposita uma vela e entrega uma Rosa de Oro, confiando à Virgem a França e as intenções dos doentes e sofredores presentes.
🎥 Vídeos
▶
Oração do Papa Leão XIV na Gruta de Massabielle
▶
Momentos marcantes da oração na Gruta das Aparições
Oração na Gruta das Aparições de Massabielle (tradotto)
Nossa Senhora de Lourdes, a Imaculada Conceição, neste lugar bendito onde falaste, com tanta doçura e ternura, a santa Bernadette, humilde filha do povo da França, para transmitir ao mundo uma luminosa mensagem de oração, de conversão e de esperança, recorremos a ti com confiança…
Nossa Senhora de Lourdes, a Imaculada Conceição, neste lugar bendito onde falaste, com tanta doçura e ternura, a santa Bernadette, humilde filha do povo da França, para transmitir ao mundo uma luminosa mensagem de oração, de conversão e de esperança, recorremos a ti com confiança; porque tu és a Mãe que Jesus nos deu e estás atenta a todas as nossas necessidades.
Rogamos-te, Mãe nossa, pela França, da qual és Padroeira e que por tantos séculos rodeaste com a tua proteção. Obtém para o seu povo o dom da concórdia fraterna. Que possa construir uma sociedade harmoniosa, que baniza toda violência e todo ódio, que permita a cada um trabalhar, fundar uma família e viver plenamente a sua vida na tranquilidade e na serenidade. Que os mais desafortunados e os mais pobres sejam sempre amparados. Obtém para a França governantes sábios e generosos, prontos ao sacrifício de si mesmos, capazes de enfrentar os desafios e desejosos de servir o bem comum. Que a mantenham em paz no concerto das nações. Que façam ouvir a sua voz para promover a defesa dos direitos humanos fundamentais e a paz no mundo, rejeitando para sempre as lógicas de guerra.
Santa Virgem Maria, apresentamos-te o Povo de Deus que caminha neste país que tu tanto marcaste com a tua proximidade. Renova a fé e o fervor das famílias cristãs, tão queridas ao teu coração, para que vivam dia a dia da presença de Jesus, da sua graça e do seu apoio nas dificuldades que atravessam. Que estejam generosamente abertas à vida e que Deus desperte nelas vocações, em particular sacerdotais e religiosas. Concede à tua Igreja na França indicar, especialmente aos mais jovens, o caminho luminoso do Evangelho para construir uma sociedade justa e fraterna à qual aspiram.
Por fim, Mãe plena de amor, confiamos-te as nossas intenções pessoais mais urgentes, em particular as das pessoas doentes e sofredoras, assim como de todos os que as acompanham, vindos juntos para buscar força e cura na fonte de Massabielle. Confiamos-te os nossos entes queridos e os nossos falecidos. Remove, te pedimos, todos os obstáculos que ainda nos separam do teu amado Filho e faz com que Ele reine em todos os corações.