Quarta 30 Setembro 2026 — Audiência Geral: viagem à França e apelo pelo Tigray · Audiência às Monjas Dominicanas Contemplativas
10:00
Praça de São Pedro, Cidade do Vaticano
🎙️ Audiência Geral
Audiência Geral: a viagem à França e o apelo pelo Tigray
📍 Praça de São Pedro, Cidade do Vaticano
Às 10h00, na Praça de São Pedro, o Papa Leão XIV preside à Audiência Geral de quarta-feira, dedicada a recordar a Viagem apostólica à França e a visita à UNESCO (25-28 de setembro), lida através do símbolo da catedral de Notre-Dame: do incêndio de 2019 ao renascimento de hoje como imagem da «Igreja de pedras vivas». O Papa recorda as Vésperas em Notre-Dame, a vigília com 80.000 jovens no Stade de France («vós sois os santos da França!»), a visita à Maison Bakhita, a Assembleia sinodal parisiense, a Missa na Place de la Concorde, a peregrinação a Lourdes — onde reafirma a inviolável dignidade de toda vida humana e recorda o encontro com algumas vítimas de abusos — e a etapa de Metz, onde recorda Robert Schuman e o Apelo assinado pelos líderes religiosos pelo diálogo e pela paz. Entre os presentes, o jovem americano Patrick Murphy, que nos últimos 14 meses percorreu mais de 7.000 km de bicicleta em França e a pé em Itália pela Via Francígena, levando consigo uma Bíblia carimbada em cada local que o acolheu. Nas saudações finais, o Papa dirige um apelo sentido pelo Tigray e pelas vizinhas regiões etíopes de Afar e Amhara, onde as hostilidades foram retomadas: convida todas as partes ao diálogo, recordando que «o conflito armado nunca resolve os problemas, apenas os agrava», e espera um contributo oportuno da comunidade internacional para a ajuda humanitária. Recorda ainda a beatificação, no domingo anterior em Bolonha, dos três sacerdotes mártires Ubaldo Marchioni, Elia Comini e Martino Capelli, mortos em 1944, e convida todos a rezar o Rosário durante o mês de outubro pelo fim das guerras e pela paz entre os povos.
Audiência Geral - A viagem apostólica à França e à UNESCO
Estimados irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
Hoje desejo falar-vos da Viagem apostólica à França , que realizei nos últimos dias. Foi uma grande dádiva para mim e para o povo de Deus naquele país, e dou graças ao Senhor por isto. Manifesto mais uma vez a minha gratidão a todos aqueles que me receberam, às Autoridades civis e aos Pastores da Igr
Estimados irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
Hoje desejo falar-vos da Viagem apostólica à França , que realizei nos últimos dias. Foi uma grande dádiva para mim e para o povo de Deus naquele país, e dou graças ao Senhor por isto. Manifesto mais uma vez a minha gratidão a todos aqueles que me receberam, às Autoridades civis e aos Pastores da Igreja, assim como a quantos, deveras numerosos, quiseram encontrar-se com o Papa ou simplesmente saudá-lo ao longo das ruas, como apóstolo de Cristo e mensageiro de paz. Obrigado a todos!
Gostaria de reunir os pensamentos e as impressões — ainda profundamente vivas — desta Visita pastoral em volta de um único grande símbolo: a Catedral de Notre-Dame de Paris. Ali, na tarde do primeiro dia, pudemos celebrar as Vésperas da Bem-Aventurada Virgem Maria , uma liturgia solene e ao mesmo tempo festiva, na qual a música, o cântico e a beleza do templo faziam vibrar os corações unidos em oração.
É precisamente Notre-Dame, com o drama vivido, que pode simbolicamente iluminar toda esta Viagem apostólica , oferecendo uma chave de leitura que eu resumiria com uma palavra: renascimento!
A Catedral de Paris, que há apenas sete anos parecia mortalmente ferida por um enorme incêndio, agora foi reconstruída e é mais resplandecente do que nunca. Aquele desastre provocou uma reação positiva a todos os níveis, alguns mais visíveis e práticos, outros mais escondidos, de ordem espiritual.
A sua restauração foi uma prova da possível colaboração entre Igreja, Estado, instituições públicas e sociedade civil. Esta atitude permitiu valorizar da melhor forma possível a generosidade dos benfeitores e as competências dos profissionais e dos operários. A sinergia em prol do bem comum deveria ser o estilo normal das instituições, das forças políticas e sociais, de quantos têm responsabilidades civis e económicas. Foi a mensagem que eu quis confiar às Autoridades francesas, bem como aos membros da UNESCO, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura com sede em Paris, indicando qual é o critério fundamental no qual basear esta colaboração: a dignidade da pessoa humana!
Mas sobretudo Notre-Dame é imagem da Igreja de pedras vivas, do povo santo de Deus.
É interessante estabelecer um paralelo entre a celebração das Vésperas na Catedral e a Vigília dos jovens que teve lugar na mesma noite no grande Estádio da França, em Paris. Dois lugares completamente diferentes e, no entanto, dois eventos complementares, quase unidos espiritualmente. O que os unia? A Igreja, que não é feita de pedras nem de cimento, mas de pessoas que amam Jesus Cristo porque foram amadas por Ele. Em Notre-Dame estavam presentes sacerdotes e diáconos, pessoas consagradas, agentes pastorais; no estádio estava presente a nova geração francesa: nova — diria — não só pela idade, mas ainda mais pelo espírito, pela liberdade de coração e de fé. Jovens que cantaram, gritaram, mas que também permaneceram em silêncio, à escuta. Rostos atentos e comovidos, que revelavam corações desejosos de verdade e amor. A eles eu disse com alegria: “Vós sois os santos da França!”. Aquela Vigília foi um grande sinal de esperança!
Tal como o foi — na pequenez que Deus prefere — também o encontro na Maison Bakhita
, casa de acolhimento para várias pessoas em dificuldade: um dos muitos lugares, frutos do Evangelho, onde se assume o compromisso diário de servir com amor a dignidade da pessoa humana.
No entanto, na Igreja em França existe um sinal de renascimento que perdura há alguns anos, ou seja, o número notável e crescente de jovens e adultos que pedem o Batismo. Sobre esta bonita “surpresa” de Deus decorre em Paris uma Assembleia sinodal provincial , na qual tive a ocasião de intervir, encorajando o caminho dos catecúmenos e dos neófitos, com as comunidades a que pertencem.
O evento culminante da minha visita à Capital foi a Missa na Place de la Concorde
. Ali, o sinal do renascimento manifestou-se de modo surpreendente: a assembleia litúrgica, que congregava na vasta Praça os sacerdotes, o coro e uma multidão considerável, estendia-se por toda a Avenue des Champs-Élysées até ao Arco do Triunfo e além. No momento da Comunhão, todos puderam receber a Eucaristia, distribuída em todos os lugares. Eis a verdadeira reconstrução, a restauração da Igreja que só Deus pode realizar, por intercessão da Virgem Maria.
E então era natural e obrigatório que, depois de Paris, eu fosse como peregrino a Lourdes, para venerar a Mãe da Igreja, Maria, aquela que na hora da paixão e da morte mantém acesa a lâmpada da fé e da esperança. Em Lourdes o Senhor, através do esmero maternal da Virgem Maria, transmite a todos, peregrinos e especialmente enfermos no corpo e no espírito, uma mensagem de esperança e renascimento. Uma mensagem que eu quis relançar abertamente : cada vida humana, em qualquer condição, até na mais grave fragilidade, conserva a sua dignidade inviolável e merece ser cuidada, acompanhada, aliviada do sofrimento com compaixão humana e com o auxílio dos meios proporcionados pela ciência. Por isso, Lourdes representa para todo o mundo um santuário da civilização do amor. Neste contexto, encontrei algumas pessoas vítimas de abusos e pedi-lhes que me ajudem a transmitir também a outras vítimas a minha vontade, bem como a de toda a Igreja, de as ouvir e de caminhar com elas em busca da cura, reconhecendo a dor causada na sua vida e trabalhando para a prevenção dos abusos.
A terceira e última etapa da Viagem apostólica foi a cidade de Metz, numa região da França e da Europa devastada pela Segunda Guerra Mundial. Foi ali que trabalhou Robert Schuman, um dos principais inspiradores do processo de unificação europeia. A Europa contemporânea nasceu precisamente como projeto de paz após a destruição da guerra. Podemos dizer que quanto ocorreu com o incêndio de Notre-Dame em Paris, acontecera na Europa com a Segunda Guerra Mundial. E a Europa renasceu, com base naqueles princípios de democracia, solidariedade e fraternidade entre os povos, que muito devem às próprias raízes cristãs. Também hoje é sobre tais alicerces e com esta “linfa” vital que o projeto-Europa pode renovar-se, num mundo muito mais globalizado, onde o diálogo inter-religioso desempenha um papel de importância primordial. Por isso, em Metz, encontrei-me com representantes das várias tradições religiosas , que leram e subscreveram na minha presença o “Apelo de Metz” a favor do diálogo e da paz.
Caríssimos, o tema da minha Visita pastoral à França foi “Pour que le monde ait la vie” , “Para que o mundo tenha vida” (cf. Jo 6, 51). São palavras de Jesus, que resumem toda a sua missão de salvação e que, durante a Viagem, manifestavam plenamente o sentido evangélico de cada encontro. Agora, que elas inspirem a nossa oração, pedindo a Deus que este acontecimento de graça possa dar frutos abundantes e duradouros!
Pela manhã, o Papa Leão XIV recebe em audiência a Comissão Internacional das Monjas Dominicanas Contemplativas, poucos dias após o reconhecimento das virtudes heroicas da Serva de Deus irmã Maria Petra Giordano, monja professa da Ordem dos Pregadores. Recordando a tradição de São Domingos e São Tomás de Aquino, segundo os quais «toda palavra de anúncio, para ser verdadeira, deve ter origem no silêncio», o Pontífice exorta as religiosas a não se perguntarem «como manter estruturas que se esvaziam», mas a «ouvir, antes, o que o Espírito pede, hoje, à vida contemplativa dominicana», guardando «um fogo que arde e que não se pode deixar morrer», como dizia Santa Catarina de Sena. Enumera as dificuldades da vida religiosa atual — comunidades que envelhecem, diminuição das vocações, problemas econômicos, gestão de imóveis onerosos, desafios da formação compartilhada e da interculturalidade — alertando contra a «tentação do espírito de sobrevivência» que leva ao isolamento e à redução dos compromissos. Convida as comunidades a serem «oásis de verdadeira e profunda paz», onde «cale a agitação caótica» ligada às coisas exteriores, e conclui desejando monjas «unidas sem se uniformizarem, fiéis à tradição e abertas à novidade, contemplativas porque capazes de levar o mundo diante de Deus».
Termina no Palazzo San Calisto o encontro internacional "Religiões e Diplomacia" (28-30 de setembro), que reuniu embaixadores acreditados junto à Santa Sé e representantes religiosos em torno do diálogo inter-religioso como recurso para a diplomacia. Na sessão de encerramento, relatório sobre "O diálogo entre culturas e religiões" e intervenções do Cardeal George Jacob Koovakad e do padre Alfonso Vincenzo Amarante.
Na Basílica de São Pedro, na véspera da 16ª edição da Tennis & Friends – Salute e Sport (Foro Itálico, 2-4 de outubro), o Papa Leão XIV recebe em audiência a delegação do projeto, liderada pelo presidente e fundador Giorgio Meneschincheri. Com ele, Daniele Franco (presidente da Fundação do Policlínico Universitário Agostino Gemelli), o diretor dos Internazionali BNL d'Italia Paolo Lorenzi, a recém-eleita presidente da AIOM Rossana Berardi, a madrinha da iniciativa Veronica Maya, um paciente salvo graças ao projeto e representantes do mundo esportivo, da saúde, das Forças Armadas e do voluntariado. O Prof. Meneschincheri oferece ao Pontífice um quadro do artista Mattia Mastrillo, representando uma raquete de tênis e um estetoscópio, junto com um conjunto de tênis personalizado, reiterando que a saúde «é um bem que diz respeito a toda a comunidade».
Às 17h00, nos Jardins Vaticanos, junto à Gruta de Lourdes, o Papa reza o Terço com centenas de crianças (entre 700 e 1.000) de escolas e paróquias de Roma, na abertura da semana mundial de oração "Um milhão de crianças rezando o Terço", promovida pela fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre.
📰 Conferência de imprensa sobre o décimo aniversário da Amoris Laetitia
Às 11h30, na Sala de Imprensa da Santa Sé (Via della Conciliazione, 54), é apresentado o Encontro "Dez anos depois de Amoris laetitia: anunciar o Evangelho com as famílias hoje", convocado pelo Papa Leão XIV no Vaticano de 7 a 14 de outubro. Intervêm a prof.ª Gabriella Gambino, a prof.ª Orietta Rachele Grazioli e o padre Giacomo Costa S.I.
📖 Encontro sobre o décimo aniversário da Amoris Laetitia
Encontro no Vaticano (7-14 de outubro) convocado pelo Papa com os chefes das Igrejas orientais, os presidentes das Conferências episcopais e algumas famílias.