Todos os eventos do dia›2026-10-22›Audiência aos participantes no Congresso internacional sobre pastoral escolar e universitária
🎓 Audiência
Audiência aos participantes no Congresso internacional sobre pastoral escolar e universitária
📍 Sala Paulo VI, Cidade do Vaticano
Pela manhã, memória litúrgica de São João Paulo II, o Papa recebeu na Sala Paulo VI cerca de mil organizadores e participantes no Congresso internacional sobre pastoral escolar e universitária "Desenhar novos mapas de esperança", promovido pelo Dicastério para a Cultura e a Educação, presidido pelo cardeal José Tolentino de Mendonça (22-23 de outubro). No discurso, Leão XIV pediu que as escolas e universidades católicas sejam antes de tudo "casa", um lugar familiar onde se é esperado, diante do mal-estar existencial de tantos estudantes: famílias feridas, solidões digitais, o medo de errar numa "cultura do desempenho" e uma meritocracia mal entendida. "A coragem nasce de um pacto de confiança", afirmou, convidando a concentrar-se na educação do coração: "Por baixo da armadura que tantos adolescentes constroem para não sofrer, esconde-se o desejo de amar e ser amado".
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Pope urges Catholic schools to help young people find new way to live in world (Vatican News EN)
Discurso aos participantes no Congresso internacional sobre pastoral escolar e universitária
Comecemos com o sinal da cruz, com o qual todos fomos batizados.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. A paz esteja convosco!
Eminência Excelências Prezados irmãos e irmãs!
É com alegria que vos saúdo no início deste Congresso sobre a pastoral escolar e universitária. Agradeço ao Prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação, aos…
Comecemos com o sinal da cruz, com o qual todos fomos batizados.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. A paz esteja convosco!
Eminência Excelências Prezados irmãos e irmãs!
É com alegria que vos saúdo no início deste Congresso sobre a pastoral escolar e universitária. Agradeço ao Prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação, aos Secretários e Oficiais, bem como a quantos tiverem a tarefa de promover a reflexão e o aprofundamento; e é com alegria que dou as boas-vindas a todos vós que viestes de tantas partes do mundo. Felicito-vos pelo trabalho que desempenhais nas instituições educativas e académicas em prol do anúncio do Evangelho e da dignidade da pessoa.
É fundamental que a pastoral escolar e universitária saiba responder ao desejo que cada um traz em si e percorrer juntos um caminho humano e cristão. Os destinatários do vosso ministério distinguem-se pelo entusiasmo, generosidade e espírito de serviço, tão próprios dos jovens! No entanto, quantos estudantes vivem também em condições de mal-estar existencial! Famílias feridas, solidões digitais, sentimento de inadequação ou de medo face a um futuro que parece incerto. Muitos percorrem os corredores das nossas instituições e universidades, e talvez se sintam anónimos. Como é importante que as escolas e universidades católicas sejam antes de mais nada “casa”, um lugar familiar onde se é esperado. Muitas vezes o primeiro anúncio passa através de um estilo de acolhimento: alguém que te fita nos olhos, que se lembra do teu nome, que repara na tua ausência, que se alegra com o teu regresso.
Num ambiente hospitaleiro, o estudante pode manifestar o seu profundo desejo de compreender, de dar sentido à realidade. Aqui, toca-se a vocação própria das escolas e universidades: a busca comum da verdade. Por isso, encorajo-vos a estimular a inteligência dos jovens, a valorizar as suas perguntas. A vossa paixão — especialmente para quantos trabalham em instituições católicas — consista em fazer com que os jovens experimentem a beleza do encontro com Cristo, a fecundidade da sinergia entre fé e razão, entre o saber da fé e os vários outros saberes.
A pastoral escolar e universitária é chamada a acompanhar a lenta germinação do pensamento, a ensinar a discernir e a procurar com perseverança. Os processos educativos «requerem um tempo de maturação, de confronto com a realidade que vai além das aparências, e um caminho de paciência». Devemos «proteger os nossos jovens [...] daquela subtil sedução que parece tornar o pensamento humano inútil, precisamente quando é mais necessário» (Carta encíclica Magnifica humanitas, 140).
Hoje em dia, não são poucos os jovens que vivem como que paralisados pelo medo de errar, de não estar à altura, de ser mal interpretados, de não corresponder às expetativas. Vivemos numa cultura da eficiência, que coloca continuamente em confronto e classifica de modo por vezes implacável. Uma meritocracia erroneamente entendida acaba por não respeitar as pessoas. Por isso, muitos acabam por renunciar antes ainda de tentar.
Ajudai os jovens que encontrardes a ser protagonistas de uma nova maneira de habitar o mundo, construtores de fraternidade e de uma sociedade mais justa. A coragem nasce de um pacto de confiança: da experiência de alguém que acredita em ti antes que tu acredites em ti próprio. Jesus não escolheu os Doze porque eram intrépidos; chamou-os e, com a sua confiança, tornou-os capazes. Aos nossos jovens devemos poder repetir as palavras que os discípulos dirigiram ao cego Bartimeu: «Coragem! Levanta-te, Ele chama-te!» (Mc 10, 49).
Por baixo da armadura que tantos adolescentes constroem para não sofrer, esconde-se o desejo de amar e de ser amado. Uma pastoral escolar e universitária será tanto mais fecunda quanto mais se concentrar na educação do coração. Educar o coração para a compaixão, a gratidão, a capacidade de se deixar tocar pela dor do próximo; educá-lo para o louvor e o desejo de Deus. O serviço aos pobres, o voluntariado, o cuidado pela criação não são atividades acessórias, mas lugares onde o coração aprende a dilatar-se. Não nos esqueçamos: caridade e oração são inseparáveis!
Caros irmãos e irmãs, falsos mestres e mensagens enganosas prometem responder rapidamente às perguntas dos jovens. Vós, pelo contrário, escolhestes fazer algo mais grandioso: acompanhá-los ao longo do caminho, até que descubram os dons que Deus já depositou neles. Assim como o Ressuscitado com os discípulos de Emaús, que se aproxima, caminha com eles, escuta, explica, faz arder o seu coração e, depois, se deixa reconhecer ao partir o pão (cf. Lc 24, 13-35). O seu Espírito Santo ilumine e sustente sempre o vosso serviço. Maria Santíssima, Sede da Sabedoria, vos acompanhe com a minha bênção. Obrigado!